terça-feira, 4 de janeiro de 2011
mUdanÇas
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
À procura de nós mesmos
Tudo que está acontecendo hoje no planeta reflete exatamente nosso modo de agir inconsciente. Quem somos nós por dentro? ou que estamos fazendo aqui exatamente?
Por que será que, justamente agora, nessa época em que vivemos, uma mudança urgente nos paradigmas de desenvolvimento começa a se tornar imperativa? Se os países emergentes adotarem o mesmo modelo dos países ricos seriam necessários de 3 a 5 planetas para sustentar os mais de 6 bilhões de habitantes que não param de se reproduzir como vírus por toda a parte. Tudo indica que o melhor caminho a ser seguido é aquele onde a felicidade do ser humano venha de dentro dele mesmo e não na satisfação proveniente do hábito de consumir sem limites, produzindo lixo, degradando a natureza, alterando clima destruindo todos os laços de amor e fraternidade através de conflitos e guerras. Alguma coisa realmente está acontecendo, algo estranho paira no ar, vamos observar e tentar descobrir o que é.
Desenvolvimento Local é o Caminho
No atual momento histórico a cultura local representa um espaço político onde começam a se delinear novos modelos de desenvolvimento. Submetidas à lógica do sistema global, as microrregiões, constituídas pelas comunidades, se tornam um lócus de resistência às mudanças impostas por acordos internacionais entre os grandes blocos econômicos. Assim, com a crise do sistema financeiro mundial, apoiado em uma lógica incapaz de encontrar solução para os problemas que afligem as comunidades locais, os movimentos sociais configurados nas economias solidárias, nas associações de moradores e nas cooperativas de trabalhadores oferecem uma alternativa adequada baseada no esforço coletivo e organizado da comunidade para a construção de suas próprias soluções e ao atendimento adequado às necessidades apresentadas em cada comunidade ou grupo. Esses espaços ganham força através do sentimento de identidade comum, de solidariedade, intimidade, confraternização, religiosidade, vizinhança. Cada região do mundo possui sua própria evolução no interior desta dinâmica geral. Dessa forma, qualquer empreendimento que venha surgir estará sempre adequado a essas características culturais locais e é no seio dessa rede de significações, que se produzem nos vínculos com o lugar, que estão inseridas as novas práticas e paradigmas para o desenvolvimento sustentável global e a responsabilidade ecológica de toda a humanidade.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
sábado, 30 de outubro de 2010
MÁXIMAS ANARQUISTAS
* Não há um abismo entre o pensamento e a ação. A concepção já é um começo de ação.
* Não há que se conquistar o poder, há que se destruí-lo. É tirano por natureza. Seja exercido por um rei, um ditador ou um presidente eleito. A única diferença no caso da democracia parlamentar é que os escravos tem a ilusão de escolher, eles próprios, o mestre que deverão servir. O voto os fez cúmplices da tirania que os oprime. Eles não são escravos porque existam mestres, mas sim, os mestres existem porque eles escolheram manter-se escravos.
* Votar é abdicar.
* Os que souberem despertar o espírito de iniciativa nos indivíduos e nos grupos, os que chegarem a criar nas suas relações mútuas uma ação e uma vida baseadas nestes princípios, os que compreenderem que a variedade, o próprio conflito, são a vida, e que a uniformidade é a morte, trabalharão não para os séculos futuros, mas verdadeiramente para a próxima revolução.
* O mais poderoso desenvolvimento da individualidade, da originalidade individual só pode produzir-se quando as primeiras necessidades de alimento e de moradia forem satisfeitas, quando a luta pela existência contra as forças da natureza for simplificada e quando o tempo não for mais tomado pela mesquinhez da subsistência cotidiana — a inteligência, o gosto artístico, o espírito inventivo, o gênio inteiro podem desenvolver-se à sua vontade.
* O reino social deve pautar-se por uma ordem que existencialize a igualdade, o auxílio, pois no mundo animal e humano, alei do apoio mútuo é a lei do progresso.
* Tudo quanto no passado constitui um elemento de progresso ou um instrumento de aperfeiçoamento moral e intelectual da raça humana, foi devido à prática do apoio mútuo, aos costumes que reconheciam a igualdade dos homens e os levavam a aliar-se, a associar-se para produzirem e consumirem, a unir-se para defenderem, a federar-se e a reconhecer como juízes, para resolver as suas querelas, somente os árbitros escolhidos de seu próprio seio.
* Sabemos que nós próprios não somos sem defeitos, e que os melhores dentre nós seriam depressa corrompidos pelo exercício do poder. Tomamos os homens pelo que eles são, e é por isso que odiamos o governo do homem pelo homem e que trabalhamos com todas as nossas forças para destruí-lo.
* Longe de viver em mundo de visões, e de imaginar os homens melhores do que são, vemo-los tais como eles são, e é por isso que afirmamos que o melhor dos homens torna-se essencialmente mau pelo exercício da autoridade, e que a teoria da “ponderação dos poderes” e do “controle das autoridades” é uma fórmula hipócrita, fabricada pelos detentores do poder para fazer o “povo soberano” - que eles desprezam – crer que é ele quem governa.
* O trabalhador sente vagamente que nosso poder técnico atual poderia dar a todos um amplo bem-estar, mas também percebe como o sistema capitalista e o Estado impedem em todos os sentidos a conquista desse bem-estar.
* Essa concepção e esse ideal de sociedade não são decerto novos. Pelo contrário, quando analisamos a história das instituições populares — o clã, a aldeia, a comuna, a união de ofícios, a guilda, e mesmo a comuna urbana da Idade Média, no seu começo — encontramos a mesma tendência popular para construir a sociedade nesta ideia; tendência que foi sempre entravada pelas minorias dominadoras.
(Piotr Kropotkin - geógrafo anarquista)
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Expansão das Lavouras de Cana-de-Açúcar Ameaça Meio Ambiente
O agronegócio do biocombustível brasileiro quer pegar carona no futuro baseando-se na reprodução de um modelo do passado.
O primeiro ciclo iniciou-se em 1975. Para fazer frente à brusca elevação do preço do petróleo que afetou diversos países, reduzir a dependência externa e o consumo do mesmo, assim como para atender às demandas do mercado interno, o Estado incentivou a produção de etanol na forma de diversos subsídios (incentivos aos fabricantes de automóveis, instalação de destilarias e usinas, desenvolvimento de tecnologias, facilidade de aquisição de automóveis a álcool, etc.) num programa governamental denominado Pro-álcool. O final deste primeiro ciclo se configurou numa estagnação, pois, os preços do petróleo voltaram a cair, e a escassez de recursos governamentais para subsidiar a produção de álcool se desdobrou na dificuldade de abastecimento da frota de veículos. O programa foi marcado por uma série de críticas, principalmente pela expansão da plantação de cana-de-açúcar em substituição ao cultivo de alimentos, além da cana demandar solos férteis e de boa qualidade.
Hoje, a expansão da produção de cana-de açúcar é a tendência deste segundo ciclo do Pro-álcool. Diferentemente da década de 1970, o novo arranque na produção de álcool não se fez por meio de programa de governo, mas pela iniciativa privada. A preocupação com a produção do etanol ocorreu pela emergência de um potencial mercado externo, em vista da intenção da União Européia e dos EUA reduzirem o consumo de combustíveis derivados do petróleo. Assim, a produção para exportação seria um importante estímulo para o agronegócio da cana-de-açúcar. Estudos apontam que essa cultura vêm ocupando áreas prioritárias para conservação e uso sustentável do Cerrado que ameaçam a biodiversidade em estados como MG, SP, MT, MS e GO. Segundo dados do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento) de 2009, haverá necessidade do Brasil importar 7,75 milhões de toneladas de arroz e 5,5 milhões de toneladas de trigo até 2019.
A realidade atual do agronegócio do biocombustível brasileiro é uma grande ilusão e contradição, porque reflete a associação do grande capital agroindustrial (e financeiro) com a grande propriedade fundiária. O agrocombustível é um prolongamento da economia assentada na produção do petróleo ameaçada pela escassez, ou seja, serve à manutenção do sistema. Além da questão dos alimentos, o problema ambiental também se constitui num limite, pois, o cultivo da cana está fundado na monocultura que usa toneladas de agrotóxicos, e fertilizantes. Também verifica-se a realização de queimadas, erosão e exaustão dos solos e principalmente irrigação das culturas que demandam grande volume de água (100 litros de água para cada litro de etanol). Até 2030 serão produzidos mais de 2 bilhões de litros de água poluída. Isso sem falar da superexploração dos trabalhadores do campo que são mantidos em condições análogas à escravidão para aumentar os lucros dos “modernos” empresários do setor sucroalcooleiro.





